quarta-feira, 17 de março de 2010

As Vozes dos Animais

Aqui fica um poema bem divertido de Pedro Dinis sobre as vozes dos animais. Espero que gostem.

Palram pega e papagaio
E cacareja a galinha
Os ternos pombos arrulham
Geme a rola inocentinha

Muge a vaca, berra o touro
Grasna a rã, ruge o leão,
O gato mia, uiva o lobo
Também uiva e ladra o cão.

Relincha o nobre cavalo,
Os elefantes dão urros,
A tímida ovellha bala,
Zurrar é próprio dos burros.

Regouga a sagaz raposa,
Brutinho muito matreiro;
Nos ramos cantam as aves,
Mas pia o mocho agoureiro.

Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar:
Fazem gorjeios às vezes,
Às vezes põem-se a chilrar.

O pardal, daninho aos campos,
Não aprendeu a cantar;
Como os ratos e as doninhas
Apenas sabe chiar.

O negro corvo crocita,
Zune o mosquito enfadonho,
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.

Chia a lebre, grasna o pato,
Ouvem-se os porcos grunhir,
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.

Bramam os tigres, as onças,
Pia, pia o pintainho,
Cucurica e canta o galo,
Late e gane o cachorrinho.

A vitelinha dá berros
O cordeirinho balidos,
O macaquinho dá guinchos,
A criancinha vagidos.

A fala foi dada ao homem,
Rei dos outros animais:
Nos versos lidos acima
Se encontra em pobre rima
As vozes dos principais.

Tenta memorizar o poema e depois resolve a seguinte actividade:

Clica no link:
http://www.app.pt/dosmaisnovos/vozes-de-animais.htm

sábado, 6 de março de 2010

O Uso Correcto da vírgula



Uso correcto da vírgula


A vírgula pode ser uma pausa... ou não:
Não, espere.
Não espere.


Ela pode alterar o seu dinheiro:
23,4%
2,34%

Pode ser autoritária:
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis:
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões:
Esse, Juiz, é corrupto.
Esse Juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução:
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião:
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um Amor de Livro

Havia duas meninas, Paula e Júlia, grandes amigas, grandes comedoras de chocolate, grandes leitoras.
Muitas vezes, Júlia e Paula iam à biblioteca da Rua das Caravelas e mergulhavam os narizes, as sardas, os olhos, toda a cabeça (Paula era loura, Júlia morena), nos livros de aventuras e não as levantavam até as histórias acabarem, ou então porque já era tarde e a biblioteca tinha de fechar.
Apenas uma vez por semana, à sexta-feira, Paula e Júlia podiam ir juntas à biblioteca, e isto porque frequentavam escolas diferentes, com horários diferentes. Assim, normalmente, Paula ia às terças e quintas-feiras, Júlia às segundas e quartas-feiras. Mas à sexta-feira iam juntas e liam no silêncio quente da biblioteca, que cheirava a papel antigo, a madeira e cola, e também um pouco a verbena.
Porque cheirava a biblioteca a verbena?
Porque a Dona Luísa, a bibliotecária, que tinha os cabelos de uma cor entre o louro e o moreno e os olhos claramente verdes, usava um perfume de verbena que se misturava com os outros cheiros da biblioteca da Rua das Caravelas.
Em matéria de leituras, as duas amigas também tinham os mesmos gostos: os livros que agradavam a Júlia também agradavam a Paula; os que não agradavam a Paula também não agradavam a Júlia. Às vezes, as duas meninas liam o mesmo livro em dias alternados, para depois, à sexta-feira, continuarem ou acabarem de o ler, com as cabeças juntas sobre a grande mesa de madeira clara da biblioteca, virando cada uma a sua página.
Na verdade, o regulamento da biblioteca não permitia que dois leitores lessem juntos o mesmo livro: mas a Dona Luísa, à sexta-feira, fechava os olhos, porque Júlia e Paula eram as leitoras mais fiéis da biblioteca e também porque vê-las com as cabeças juntas e os olhos paralelos sobre as linhas do livro era um espectáculo delicioso.

Roberto Piumini, Um Amor de Livro

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Bela Adormecida

Era uma vez um rei e uma rainha que não tinham filhos.Quando nasceu uma filha ficaram radiantes. Os reis fizeram uma grande festa para comemorar o nascimento da menina.Convidaram todo o reino e principalmente as dozes fadas que concediam dons às crianças.Durante a festa as doze fadas deram à menina o poder da beleza,bondade,riqueza e muito mais coisas. Quando a décima primeira fada concedeu a sua dádiva ouviu-se um grande estrondo.Era a décima terceira fada que não tinha sido convidada para a festa. Muito zangada por não ter sido convidada para participar na festa,a fada deu uma prenda à princesa.Quando esta fizesse quinze anos iria picar-se numa roca e morrerá. Só que no meio daquele reboliço a décima segunda fada ainda não tinha dito qual seria a sua prenda.Sabia que não podia retirar a maldição da outra fada,mas podia torná-la mais suave.Disse então que a princesa iria picar-se na roca,mas não morreria.Em vez disso iria dormir um sono de cem anos. E assim foi,a princesa cresceu e tornou-se numa jovem bonita e bondosa.Mas na manhã do seu décimo quinto aniversário,a princesa levantou-se cedo e foi passear pelo reinado,quando viu uma luz brilhante,cheia de curiosidade subiu umas escadas e abriu uma porta.Do outro lado da porta estava uma senhora muito velha sentada a fiar.A menina teve ainda mais vontade de ver de perto o que era aquilo e perguntou se podia experimentar.Mas mal pôs o dedo na roca picou-se e adormeceu. Nesse preciso momento todo o reinado adormeceu. Passado cem anos,um princípe passava ali perto do castelo e reparou que os muros estavam cobertos de folhas..Cheio de coragem o príncipe arriscou passar pela sebe que tapava o castelo e nesse preciso momento as folhas encheram-se de flores e o caminho abriu-se. Este ficou muito admirado ao ver toda gente a dormir dentro do castelo,até que reparou numa menina que estava adormecida.Olhou para ela e ficou logo apaixonado pela sua beleza.Inclinou-se e a beijou. Ao fim de tantos anos a princesa abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi a beleza do príncipe.Aos poucos todas as pessoas do reino abriram os olhos. Pouco tempo depois,o príncipe e a princesa casaram e orei deu outra grande festa,só que desta vez teve muito cuidado com as pessoas que convidou.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ano Novo

Todos os anos é o mesmo! Chegamos a 31 de Dezembro, dia de S. Silvestre, e lá vem o dia 1 de Janeiro e o Novo Ano!
Neste dia, depois de termos festejado o Natal com a família, chega a vez da alegria, do barulho, dos amigos e da farra!
Muita gente se reúne para passar a meia-noite, para o "réveillon", que é uma palavra francesa que significa "despertar do dia", mas este despertar é muito especial.
Em muitos locais, especialmente nas aldeias e terras pequenas, a tradição manda que haja uma fogueira e que todos estejam à sua volta nesse momento, que se coma e beba e que se confraternize com amigos, vizinhos e familiares. Depois salta-se a fogueira, para espantar os medos.
Nas cidades, há quem passe o ano em casa e há que vá para salões e restaurantes onde há música, se come e se dança até chegar o momento tão esperado: a meia-noite.
Na passagem do ano, existem tradições, que variam consoante os locais e os hábitos:- Comer 12 passas, uma por cada mês do novo ano. Temos de fazer um desejo para cada uma. Dá sorte!- Ter uma moeda na mão à meia-noite. Dá dinheiro.- Subir a uma cadeira. Dá poder e altura: tudo de bom.
Depois bebe-se champanhe ou vinho do Porto e vai-se para a rua bater em tachos e fazer barulhos com gritos e assobios.É para espantar os maus espíritos do Ano Velho!
Em muitos locais há espectáculos lindos de fogo de artifício e música.
Lembra-te que, com os vários fusos horários, os primeiros a festejarem o Ano Novo são os australianos... Na América festeja-se depois de nós.
Há outros países em que o Ano Novo se festeja já em Janeiro, mas isso é outra história!
Ah! Mais uma coisa: é sempre bom (dá sorte) estrear uma peça de roupa no dia de Ano Novo. Muita gente recomenda que se estreiem cuecas... Mas, no fundo, o importante é ser algo de novo.
No novo ano há o costume de fazer uma lista de decisões para o Novo Ano. Aquilo que se quer fazer.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Clube de Leitura deseja ...

O Clube de Leitura deseja a todos UM FELIZ NATAL!!!!

Recados para Feliz Natal

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A NOITE DE NATAL DA ISA E DA LISA

O presépio não tinha muitas figuras. Havia o Menino Jesus, a Nossa Senhora e o S. José, que eram o principal; mas a Lisa e a Isa bem gostariam de ter comprado mais algumas.
(...) Para a árvore é que havia mais dificuldade. Estrelas e enfeites, faziam-se.
Bastava uma tesoura e qualquer papel bonito para os recortar. Mas para pôr onde? Pedir ao pai que fosse debaixo de chuva cortar um pinheiro? Nem pensar!
– Nas terras onde não há pinheiros como é que fazem árvores de Natal?
– Com outras árvores, se calhar – respondeu o pai.
– Se tivéssemos, ao menos, um ramo, a gente cá se arranjava...
– Está bem – disse o pai. – Logo, quando for deitar a palha aos animais, hei-de ver se encontro qualquer coisa que sirva.
Pouco antes do jantar entrou em casa, e trazia um galho de oliveira brava.
– Aqui têm. Era só o que havia.
Realmente não podia dizer-se que o Natal da Isa e da Lisa seria naquele ano um Natal igual ao de toda a gente. Primeiro, o presépio tão diferente dos outros; agora, a árvore de Natal!
As pequenas meteram o ramo de oliveira numa jarra, enfeitaram-no com as bolinhas brilhantes e os fios que tinham guardado do outro ano, e com mais meia dúzia de estrelas recortadas, ficou uma árvore de Natal maravilhosa.
Ninguém pensou nisso, mas um ramo de oliveira a servir de árvore de Natal era afinal a coisa mais acertada do mundo porque o Natal é tempo de paz, e a oliveira também significa a paz.
Havia dificuldades, mas felizmente tudo se resolvia.
Só a chuva é que não havia meio de parar.
A Isa ouviu a mãe dizer em voz baixa ao pai:
– Há três dias que chove. Queira Deus que não venha aí uma cheia.
– Não penses o pior, Maria; e sobretudo não assustes as pequenas – respondeu o pai, também em voz baixa.
A Isa ficou preocupada, mas entretida com os arranjos de Natal esqueceu-se, e não chegou a contar nada daquilo à irmã.
A noite veio depressa como é costume no Inverno, e o jantar reuniu a família à roda da mesa.
(...) Quando se aproximava a meia-noite foram buscar os presentes.
Embora o pai e a mãe se sentissem preocupados, disfarçavam tão bem que nem à Lisa nem à Isa lhes passava pela cabeça que a noite podia esconder perigos.
Estavam tão felizes a dar e a receber presentes!
A mãe ofereceu a cada uma um cachecol de malha nas cores da moda: o da Isa, rosa vivo e preto; o da Lisa, verde e azul.
E a prenda do pai o que seria?
– Vou buscá-la.
Saiu da sala de jantar e voltou com um grande embrulho de papel castanho.
Parecia um caixote.
Mas quando o colocou em cima da mesa, ouviu-se lá dentro qualquer coisa a restolhar.
– Ai, não diga que são ratos!... – gritou a Lisa, embora não estivesse convencida do que dizia.
A Isa, mais corajosa (ou mais curiosa?) deitou a mão ao papel e rasgou-o.
Apareceu então uma gaiola de cana...
– Os pombinhos!
– Que bom!

Maria Isabel de Mendonça Soares, De Inverno Também Faz Sol, Desabrochar (texto com supressões)