quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ano Novo

Todos os anos é o mesmo! Chegamos a 31 de Dezembro, dia de S. Silvestre, e lá vem o dia 1 de Janeiro e o Novo Ano!
Neste dia, depois de termos festejado o Natal com a família, chega a vez da alegria, do barulho, dos amigos e da farra!
Muita gente se reúne para passar a meia-noite, para o "réveillon", que é uma palavra francesa que significa "despertar do dia", mas este despertar é muito especial.
Em muitos locais, especialmente nas aldeias e terras pequenas, a tradição manda que haja uma fogueira e que todos estejam à sua volta nesse momento, que se coma e beba e que se confraternize com amigos, vizinhos e familiares. Depois salta-se a fogueira, para espantar os medos.
Nas cidades, há quem passe o ano em casa e há que vá para salões e restaurantes onde há música, se come e se dança até chegar o momento tão esperado: a meia-noite.
Na passagem do ano, existem tradições, que variam consoante os locais e os hábitos:- Comer 12 passas, uma por cada mês do novo ano. Temos de fazer um desejo para cada uma. Dá sorte!- Ter uma moeda na mão à meia-noite. Dá dinheiro.- Subir a uma cadeira. Dá poder e altura: tudo de bom.
Depois bebe-se champanhe ou vinho do Porto e vai-se para a rua bater em tachos e fazer barulhos com gritos e assobios.É para espantar os maus espíritos do Ano Velho!
Em muitos locais há espectáculos lindos de fogo de artifício e música.
Lembra-te que, com os vários fusos horários, os primeiros a festejarem o Ano Novo são os australianos... Na América festeja-se depois de nós.
Há outros países em que o Ano Novo se festeja já em Janeiro, mas isso é outra história!
Ah! Mais uma coisa: é sempre bom (dá sorte) estrear uma peça de roupa no dia de Ano Novo. Muita gente recomenda que se estreiem cuecas... Mas, no fundo, o importante é ser algo de novo.
No novo ano há o costume de fazer uma lista de decisões para o Novo Ano. Aquilo que se quer fazer.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Clube de Leitura deseja ...

O Clube de Leitura deseja a todos UM FELIZ NATAL!!!!

Recados para Feliz Natal

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A NOITE DE NATAL DA ISA E DA LISA

O presépio não tinha muitas figuras. Havia o Menino Jesus, a Nossa Senhora e o S. José, que eram o principal; mas a Lisa e a Isa bem gostariam de ter comprado mais algumas.
(...) Para a árvore é que havia mais dificuldade. Estrelas e enfeites, faziam-se.
Bastava uma tesoura e qualquer papel bonito para os recortar. Mas para pôr onde? Pedir ao pai que fosse debaixo de chuva cortar um pinheiro? Nem pensar!
– Nas terras onde não há pinheiros como é que fazem árvores de Natal?
– Com outras árvores, se calhar – respondeu o pai.
– Se tivéssemos, ao menos, um ramo, a gente cá se arranjava...
– Está bem – disse o pai. – Logo, quando for deitar a palha aos animais, hei-de ver se encontro qualquer coisa que sirva.
Pouco antes do jantar entrou em casa, e trazia um galho de oliveira brava.
– Aqui têm. Era só o que havia.
Realmente não podia dizer-se que o Natal da Isa e da Lisa seria naquele ano um Natal igual ao de toda a gente. Primeiro, o presépio tão diferente dos outros; agora, a árvore de Natal!
As pequenas meteram o ramo de oliveira numa jarra, enfeitaram-no com as bolinhas brilhantes e os fios que tinham guardado do outro ano, e com mais meia dúzia de estrelas recortadas, ficou uma árvore de Natal maravilhosa.
Ninguém pensou nisso, mas um ramo de oliveira a servir de árvore de Natal era afinal a coisa mais acertada do mundo porque o Natal é tempo de paz, e a oliveira também significa a paz.
Havia dificuldades, mas felizmente tudo se resolvia.
Só a chuva é que não havia meio de parar.
A Isa ouviu a mãe dizer em voz baixa ao pai:
– Há três dias que chove. Queira Deus que não venha aí uma cheia.
– Não penses o pior, Maria; e sobretudo não assustes as pequenas – respondeu o pai, também em voz baixa.
A Isa ficou preocupada, mas entretida com os arranjos de Natal esqueceu-se, e não chegou a contar nada daquilo à irmã.
A noite veio depressa como é costume no Inverno, e o jantar reuniu a família à roda da mesa.
(...) Quando se aproximava a meia-noite foram buscar os presentes.
Embora o pai e a mãe se sentissem preocupados, disfarçavam tão bem que nem à Lisa nem à Isa lhes passava pela cabeça que a noite podia esconder perigos.
Estavam tão felizes a dar e a receber presentes!
A mãe ofereceu a cada uma um cachecol de malha nas cores da moda: o da Isa, rosa vivo e preto; o da Lisa, verde e azul.
E a prenda do pai o que seria?
– Vou buscá-la.
Saiu da sala de jantar e voltou com um grande embrulho de papel castanho.
Parecia um caixote.
Mas quando o colocou em cima da mesa, ouviu-se lá dentro qualquer coisa a restolhar.
– Ai, não diga que são ratos!... – gritou a Lisa, embora não estivesse convencida do que dizia.
A Isa, mais corajosa (ou mais curiosa?) deitou a mão ao papel e rasgou-o.
Apareceu então uma gaiola de cana...
– Os pombinhos!
– Que bom!

Maria Isabel de Mendonça Soares, De Inverno Também Faz Sol, Desabrochar (texto com supressões)

domingo, 22 de novembro de 2009

O SAPATEIRO POBRE

Havia um sapateiro que trabalhava à porta de casa e todo o santíssimo dia cantava. Tinha muitos filhos, que andavam rotinhos pela rua, pela muita pobreza, e à noite, enquanto a mulher fazia a ceia, o homem puxava da viola e tocava os seus batuques muito contente.
Ora defronte do sapateiro morava um ricaço, que reparou naquele viver e teve pelo sapateiro tal compaixão que Ihe mandou dar um saco de dinheiro, porque o queria fazer feliz.
O sapateiro lá ficou admirado. Pegou no dinheiro e à noite fechou-se com a mulher para o contarem. Naquela noite, o pobre já não tocou viola. As crianças, como andavam a brincar pela casa, faziam barulho e levaram-no a errar na conta, e ele teve de lhes bater. Ouviu-se uma choradeira, como nunca tinham feito quando estavam com mais fome. Dizia a mulher:
- E agora, que havemos nós de fazer a tanto dinheiro?
- Enterra-se!
- Perdemos-lhe o tino. É melhor metê-lo na arca.
- Mas podem roubá-lo! O melhor é pô-lo a render.
- Ora, isso é ser onzeneiro!
- Então levantam-se as casas e fazem-se de sobrado e depois arranjo a oficina toda pintadinha.
- Isso não tem nada com a obra! O melhor era comprarmos uns campinhos.
- Eu sou filha de lavrador e puxa-me o corpo para o campo.
- Nessa não caio eu.
- Pois o que me faz conta é ter terra. Tudo o mais é vento.
As coisas foram-se azedando, palavra puxa palavra, o homem zanga-se,
atiça duas solhas na mulher, berreiro de uma banda, berreiro da outra, naquela noite não pregaram olho.
O vizinho ricaço reparava em tudo e não sabia explicar aquela mudança. Por fim, o sapateiro disse à mulher:
- Sabes que mais? O dinheiro tirou-nos a nossa antiga alegria! O melhor era ir levá-lo outra vez ao vizinho dali defronte, e que nos deixe cá com aquela pobreza que nos fazia amigos um do outro!
A mulher abraçou aquilo com ambas as mãos, e o sapateiro, com vontade
de recobrar a sua alegria e a da mulher e dos filhos, foi entregar o dinheiro e voltou para a sua tripeça a cantar e a trabalhar como de costume.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Coelho e os Gigantes

Naquele tempo, o meu pai contava-me muitas histórias de gigantes. Eu não queria adormecer sozinho, de maneira que ele sentava-se na minha cama e entretinha-me, enquanto não chegava o João Pestana. A verdade é que o meu pai não sabia as histórias de cor e ia inventando, à medida que ia contando. Algumas histórias, que começavam sempre com «Era uma vez um gigante», desconfio que ele as inventou de uma ponta à outra.
Mas a partir do momento em que a história era contada eu não admitia variantes. Queria ali todos os pormenores. Acho que todos os miúdos têm esta atenta memória que contradiz e mete na ordem os adultos contadores, quando são distraídos.
Pois naquela altura saltitava lá por casa um coelhito malhado. Não era um desses coelhos anões, cinzentos e cheios de peneiras, armados em fidalgos, que se vendem agora nos centros comerciais. Não. Era um robusto coelho do campo, muito curioso, de narizito sempre a farejar, grande apreciador de cenouras.
Houve alguém que nos ofereceu aquele coelho, no pressuposto de que o destinaríamos à panela, com batatas e ervas cheirosas. Mas naquela nossa casa não havia ninguém capaz de sacrificar um animal, para mais simpático e dado ao convívio.
De início, ficou numa marquise. Todas as manhãs, quando se abria a porta da marquise vinha cumprimentar-nos, farejando-nos os pés e empinando-se a olhar para nós. Não tardou que circulasse por toda a casa e me fizesse companhia naquelas brincadeiras que demoravam o dia inteiro.
…Era um coelho extremamente asseado. Tinha lá o seu sítio de recolhimento e fez questão de nunca deixar noutro lado aquelas bolinhas pretas e redondinhas que os coelhos costumam distribuir.
E bom companheiro que ele era. Tinha imenso jeito para andar nos carrinhos, ajudava a descarrilar o comboio de brinquedo, e admirava, com sinceridade, as maravilhosas obras de engenharia que eu construía com o meu «Meccano».
Eu já deixara de invejar os outros miúdos que tinham cães e gatos nos quintais. Nenhum se comparava ao meu coelho, nem sabia brincar com tanta classe.
Os homens são ingratos. Quando crescem, ainda mais. Imaginem que eu me esqueci completamente do nome do meu coelhinho. Certo é que ele acudia aos chamamentos e vinha de onde estivesse, saltitão, com o tufo peludo do rabito no ar. Eu podia agora improvisar um nome e fazer de conta que o bicho se chamava, por exemplo, «Pinóquio» ou «Lanzudo». Mas não quero inventar nada. Quero contar tudo como era. Esqueci-me do nome, passou-me, pronto!
Mas... um dia comecei a ouvir os adultos a segredar, lá em casa. Desconfiei logo que se tratava do meu coelho, e era mesmo. Um amigo, possuidor duma quinta, tinha-se oferecido para instalar o bicho no campo e os meus pais – com aquele irritante bom senso que compete aos mais crescidos – haviam considerado a proposta interessante. Sempre era melhor para o animal andar em liberdade, ao ar livre, entre arvoredos, na companhia dos seus iguais e das aves de capoeira... E quando eu protestava, com muita força, limitavam-se a abraçar-me e sorrir.
E lá levaram o coelhinho, aproveitando uma distracção minha. O que eu barafustei! Foi um tremendo desgosto. Ao deitar, não quis ouvir histórias de gigantes. Durante toda a noite chorei e exigi a devolução do meu companheiro. Em vão.
Espero que ele tenha sido feliz lá na tal quinta. Ainda hoje, quando vejo um orelhudo malhado a saltitar, pataludo, com os olhos vivos e o nariz sempre em acção, consolo-me sempre com a ideia de que pode ser um dos descendentes daquele saudoso coelhinho da minha infância. E quando contar aos meus netos histórias de gigantes, talvez introduza nos contos as peripécias de um herói orelhudo.

Mário de Carvalho, «O Coelho e os Gigantes»,
in Boletim Cultural – Memórias da Infância, Lisboa,
Fundação Calouste Gulbenkian, 1994

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sábios como camelos

Há muitos anos viveu na Pérsia um grão-vizir - nome dado naquela época aos chefes dos governos - que gostava imenso de ler. Sempre que tinha de viajar ele levava consigo quatrocentos camelos, carregados de livros, e treinados para caminhar em ordem alfabética. O primeiro camelo chamava- se Aba, o segundo Baal, e assim por diante, até ao último, que atendia pelo nome de Zuzá. Era uma verdadeira biblioteca sobre patas. Quando lhe apetecia ler um livro o grão-vizir mandava parar a caravana e ia de camelo em camelo, não descansando antes de encontrar o título certo.
Um dia a caravana perdeu-se no deserto. Os quatrocentos camelos caminhavam em fila, uns atrás dos outros, como um carreirinho de formigas. À frente da cáfila, que é como se chama uma fila de camelos, seguiam o grão-vizir e os seus ministros. Subitamente o céu escureceu, e um vento áspero começou a soprar de leste, cada vez mais forte. As dunas moviam-se como se estivessem vivas. O vento, carregado de areia, magoava a pele. O grão-vizir mandou que os camelos se juntassem todos, formando um círculo. Mas era demasiado tarde. O uivo do vento abafava as ordens. A areia entrava pela roupa, enfiava-se pelos cabelos, e as pessoas tinham de tapar os olhos para não ficarem cegas. Aquilo durou a tarde inteira. Veio a noite e quando o Sol nasceu o grão-vizir olhou em redor e não foi capaz de descobrir um único dos quatrocentos camelos. Pensou, com horror, que talvez eles tivessem ficado enterrados na areia. Não conseguiu imaginar como seria a vida, dali para a frente, sem um só livro para ler. Regressou muito triste ao seu palácio. Quem lhe contaria histórias?
Os camelos, porém, não tinham morrido. Presos uns aos outros por cordas, e conduzidos por um jovem pastor, haviam sido arrastados pela tempestade de areia até uma região remota do deserto. Durante muito tempo caminharam sem rumo, aos círculos, tentando encontrar uma referência qualquer, um sinal, que os voltasse a colocar no caminho certo. Por toda a parte era só areia, areia, e o ar seco e quente. À noite as estrelas quase se podiam tocar com os dedos.
Ao fim de quinze dias, vendo que os camelos iam morrer de fome, o jovem pastor deu-lhes alguns livros a comer. Comeram primeiro os livros transportados por Aba, ou seja, todos os títulos começados pela letra A. No dia seguinte comeram os livros de Baal. Trezentos e noventa e oito dias depois, quando tinham terminado de comer os livros de Zuzá, viram avançar ao seu encontro um grupo de homens. Eram as tropas do grão-vizir.
Conduzido à presença do grão-vizir o jovem guardador de camelos, explicou-lhe, chorando, o que tinha acontecido. Mas este não se comoveu:
- Eras tu o responsável pelos livros - disse -, assim por cada livro destruído passarás um dia na prisão.
O guardador de camelos fez contas de cabeça, rapidamente, e percebeu que seriam muitos dias. Cada camelo carregava quatrocentos livros, então quatrocentos camelos transportavam cento e sessenta mil! Cento e sessenta mil dias são quatrocentos e quarenta e quatro anos. Muito antes disso morreria de velhice na cadeia.
Dois soldados amarraram-lhe os braços atrás das costas. Já se preparavam para o levar preso, quando Aba, o camelo, se adiantou uns passos e pediu licença para falar:
- Não faças isso, meu senhor - disse Aba dirigindo-se ao grão-vizir - esse homem salvou-nos a vida.
O grão-vizir olhou para ele espantado:
- Meu Deus! O camelo fala!?
- Falo sim, meu senhor - Confirmou Aba, divertido, com o incrédulo silêncio dos homens.
- Os livros deram-nos a nós, camelos, a ciência da fala.
Explicou que, tendo comido os livros, os camelos haviam adquirido não apenas a capacidade de falar, mas também o conhecimento que estava em cada livro. Lentamente enumerou de A a Z os títulos que ele, Aba, sabia de cor. Cada camelo conhecia de memória quatrocentos títulos.
- Liberta esse homem - disse Aba -, e sempre que assim o desejares nós viremos até ao vosso palácio para contar histórias.
O grão-vizir concordou. Assim, a partir daquele dia, todas as tardes, um camelo subia até ao seu quarto para lhe contar uma história. Na Pérsia, naquela época, era habitual dizer-se de alguém que mostrasse grande inteligência:
- Aquele homem é sábio como um camelo.
Isto foi há muito tempo. Mas há quem diga que, quando estão sozinhos, os camelos ainda conversam entre si.
Pode ser?

Conto retirado do livro de Eduardo Agualusa, Estranhões e Bizarrocos (literatura infantil, 2000).

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Fada das Crianças

Do seu longínquo reino cor-de-rosa,
Voando pela noite silenciosa,
A fada das crianças vem, luzindo.
Papoilas a coroam, e, cobrindo
Seu corpo todo, a tornam misteriosa.
À criança que dorme chega leve,
E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,
Os seus cabelos de ouro acaricia —
E sonhos lindos, como ninguém teve,
A sentir a criança principia.
E todos os brinquedos se transformam
Em coisas vivas, e um cortejo formam:
Cavalos e soldados e bonecas,
Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,
E palhaços que tocam em rabecas...
E há figuras pequenas e engraçadas
Que brincam e dão saltos e passadas...
Mas vem o dia, e, leve e graciosa,
Pé ante pé, volta a melhor das fadas
Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.

FERNANDO PESSOA
Literatura oral tradicional

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A menina do capuchinho vermelho no século XXI

A Menina do Capuchinho Vermelho estava farta de viver num tempo antigo, num livro antigo.
Apanhou um dia o João, muito entretido a ler a sua história, e disse-lhe:
- Ajuda-me a saltar para o século XXI.
- Boa ideia! – exclamou o rapaz. Vem daí.

A garota pousou os pés no chão da sala, olhando à sua volta, espantada.
- Repara, está um elefante junto da tua janela.
Ele riu-se.
- Impossível! Eu moro no décimo andar. Aqui só chegam os pássaros.
A menina apontou para a televisão.
Mexendo no comando, o amigo mudou de canal e logo apareceu, por trás do vidro, o fundo do mar.
- Afinal tens uma caixa mágica – concluiu ela, preparando-se para ficar toda a tarde a ver filmes.
Mas o João tinha combinado ir visitar a avozinha.
- Veste o anorak azul – recomendou a mãe. — E leva uns bolinhos à avó Maria.
O rapaz vestiu o anorak, deu a mão à menina e saíram juntos.
- Esqueceste-te dos bolinhos que a tua mãe fez...
Como resposta, o garoto entrou com ela no supermercado.
- Aqui é que eu compro os bolos. A minha mãe passa o dia a trabalhar numa fábrica, não tem tempo para fazer gulodices.
A rapariga ficou admirada com aquela loja gigantesca. Esfregou os olhos pois parecia que estava num sonho. Para mostrar que era crescida e ajuizada, aconselhou:
- Não vamos pela floresta, que aí podemos encontrar o lobo mau...
João desta vez não se riu. A floresta à volta da cidade ardera no verão. Tinham-lhe deitado fogo para construírem mais prédios.
- E eu que gosto tanto de florestas...— choramingou a Capuchinho Vermelho. – nem posso pensar no mundo sem o verde das árvores, o perfume das flores, os bicharocos selvagens...
Iam a atravessar a rua quando... zás! surgiu um carro a grande velocidade.
As crianças fugiram para o passeio mas o veículo ainda embateu no saco de bolos do supermercado. Ficaram feitos numa papa.
- Cuidado! – gritou um polícia. Tomem atenção aos sinais. Querem morrer atropelados?
A menina nunca tinha visto um automóvel mas, depois daquela experiência, concluiu:
- Estou a ver que os carros ainda são mais perigosos que os lobos.
Cuidadosamente foram andando até casa da avozinha, que morava numa pequena vivenda com jardim.
- Truz, truz, truz! – bateu a menina.
- Trim, trim, trim! – tocou o rapaz à campainha.
A Dona Maria, espreitando pelo vídeo de porta, respondeu logo:
- Entra, meu netinho. Trazes uma amiguinha? Lembra mesmo a menina do Capuchinho Vermelho.
- E sou – exclamou ela. - Como hoje já não vou visitar a minha avó, fica para si o pão de ló que guardo no cestinho, feito com ovos das nossas galinhas.
A senhora ficou deliciada.
- Que maravilha! Hás-de me dar a receita.
Foi à dispensa buscar laranjadas e lancharam os três.
A certa altura, o telefone tocou. A avó foi atender. Quando pousou o telemóvel, até os olhos lhe sorriam.
- Como o lobo da velha história não veio visitar-nos, podemos ir nós visitar os lobos.
A menina do Capuchinho Vermelho assustou-se. O rapaz do anorak azul entusiasmou-se.
- Leva-nos ao jardim zoológico, avó?
- Não. No jardim zoológico, os lobos, coitados, estão presos numas jaulas. Até metem dó.
- Então? – perguntou o neto.
- Falou-me o Sr. Costa, que trabalha na reserva do Lobo Ibérico, para os lados da Malveira. Ofereceu-se para nos levar de boleia até lá, de jeep.
A garota desatou a tremer.
- Ai, os lobos devoram as meninas e as avozinhas... tenho medo. Vou voltar para a minha história.
- Que rapariga tão medricas! Há uma rede a separar-nos dos animais – disse a Dona Maria.
Lá foram os quatro. Passaram terras queimadas, povoações, chegando finalmente a uma casinha de madeira numa clareira.
- Já estou no meu ambiente! – exclamou a menina.
- Agora, – avisou o Sr. Costa – nada de barulho para não espantarmos os bichos.
- Vai caçá-los?—perguntou a garota, habituada aos caçadores que matavam os lobos no seu tempo.
- Não. É a hora da refeição deles.
- Que horror! – Eles têm horas certas para atacar os rebanhos? – afligiu-se a Capuchinho.
Os empregados do parque começaram então a dar de comer aos lobos, atirando pedaços de carne por cima da vedação.
- Parecem cães polícias! São lindos! Gostava de ter aquele com um olho azul, outro castanho.
O Sr. Costa disse então que podiam ser padrinhos de um lobo. Ajudavam-no a sobreviver e podiam visitá-lo sempre que quisessem.
- Eu quero ser madrinha de um bebé, do mais pequenino – murmurou a garota, já reconciliada com os seus antigos inimigos.
Foram até à casa de madeira. Cada um preencheu um papel. Depois receberam as fotografias dos seus afilhados.
A avó tirou dinheiro da carteira e entregou-o à senhora que estava ao balcão.
- É uma prenda para os nossos irmãos lobos, tão perseguidos ao longo dos séculos. O mundo também é deles!
Quando voltaram para casa, o menino do anorak azul perguntou à menina do capuchinho vermelho:
- Afinal peço à minha mãe para dormires no sofá-cama ou voltas para a tua história?
Digam-me lá vocês o que acham que ela resolveu.


Luísa Ducla Soares, in Associação de Professores de Português

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Poema às Notas


Sem um euro pedi notas,
Ontem à noite, aos meus pais.
Deram-me notas e notas,
mas só notas musicais.

Mandaram-me tirar notas
e ter atenção na aula.
Fui preso por roubar notas
da minha colega Paula.

Hoje vou receber nota
do ponto de português.
Com ela vou jantar fora
ao restaurante chinês…


Luísa Ducla Soares

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Trava-línguas

Trava línguas é uma brincadeira com palavras difíceis de pronunciar quando estão juntas
Tenta dizer rapidamente os que se seguem



O tempo perguntou ao Tempo
quanto tempo o Tempo tem.
O Tempo respondeu ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o Tempo tem.


Disseram que na minha rua
tem paralelepípedo feito de paralelogramos.
Seis paralelogramos tem um paralelepípedo.
Mil paralelepípedos tem uma paralelepipedovia.

Uma paralelepipedovia tem mil paralelogramos.
Então uma paralelepipedovia é uma paralelogramolândia?


Está o céu estrelado?
Quem o estrelaria?
O homem que o estrelou,
Grande estrelador seria.


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bom ano lectivo


Caros amiguinhos,

o Clube de Leitura entrou no seu 3º ano de funcionamento.
Esperamos, mais uma vez, corresponder às vossas expectativas enquanto leitores assíduos do nosso blogue.
Queremos desejar a todos um óptimo ano lectivo.


quinta-feira, 2 de julho de 2009

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Clube das Chaves- No Trilho Dourado

A aluna Carolina Salvador da turma B do 6º ano leu o livro "Clube das chaves- No trilho dourado" e realizou o seguinte trabalho no âmbito do Contrato de Leitura.

domingo, 14 de junho de 2009

O Rei vai nu- contrato de leitura

O aluno Raul Manuel, nº 19 do 6º C, no âmbito do contrato de leitura realizou o seguinte trabalho.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Resumo do conto "O homem alto, a mulher baixinha" de Luísa Ducla Soares

Era uma vez um homem muito alto e uma mulher muito baixinha. O homem como era muito alto, não se sabia se ele usava chapéu e a mulher como era muito baixinha e usava malmequeres como chapéus-de-sol.
O homem alto tinha uma girafa como animal de estimação e a mulher baixinha tinha uma formiga.
O homem alto precisava de 100 metros de tecido para fazer um fato e nem todos os alfaiates gostavam de tirar medidas e de provar, pendurados num guindaste.
A mulher baixinha comprava roupas feitas numa loja de bonecas.
O homem alto era um grande polícia sinaleiro, mas só de aviões e a mulher baixinha era uma grande médica, mas só tratava dos pés.
Um dia, a mulher baixinha foi chamada para ver os pés do homem alto. O homem alto ficou tão espantado que pediu licença para a erguer no ar.
Quando olharam um para o outro repararam que eram parecidos - tinham cabelos ruivos, olhos verdes, três sardas na ponta do nariz.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Resumo do conto "A rapariga limpa, o rapaz sujo"


Diapositivo 8
O aluno Miguel Medeiros, n.º 17, do 5º B resumiu o conto "A rapariga limpa, o rapaz sujo" da obra "Tudo ao Contrário" de Luísa Ducla Soares.

Era uma vez uma rapariga limpa que só se vestia de branco e se tapava com um plástico transparente para não lhe cair em cima um grãozinho de pó. Era uma vez um rapaz tão sujo que ninguém sabia a cor da sua roupa, pois estava cheia de nódoas.

A rapariga limpa lavava os dentes antes de jantar para não sujar a comida e o rapaz sujo usava a escova dos dentes para pintar os sapatos de lama. Ela tinha um peixe como animal de estimação e ele tinha um porco como amigo. A menina gostava de brincar com bolinhas de sabão e o menino gostava de jogar ao berlinde com caganitas de coelho.

A rapariga limpa quando cresceu foi trabalhar para uma lavandaria e o rapaz sujo foi trabalhar com a camioneta do lixo.

Um dia, o rapaz sujo, ao pegar no caixote do lixo da lavandaria, viu a rapariga limpa e ficou apaixonado e declarou-se.

Ela calçou as luvas e atirou-o para dentro da máquina de lavar. Tinha tanta porcaria que ainda não saiu de lá.


sexta-feira, 29 de maio de 2009

Dia da Criança


No dia 1 de Junho, 2ª feira, Dia da Criança, o Clube de Leitura/ Oficina das Línguas, o Clube das Artes, a Orquestra "Os Sebastianitos" e a turma C do 6º ano vão apresentar a peça " Festa dos Frutos" (teatrinho de Fantoches)

As sessões terão lugar às 10h e às 13.30m.


Não perca!!!!

terça-feira, 28 de abril de 2009

O Velho e os Pássaros

O Luís Caetano do 6º B leu, no âmbito do contrato de Leitura, a obra " O Velho e os Pássaros" de António Mota. Aqui fica o trabalho do Luís.

terça-feira, 21 de abril de 2009

O aluno António Lopes, do 6ºB, leu o livro " 8 cartas de Macau". Aqui fica o seu trabalho.

guião de leitura - As 8 cartas de Macau- António

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O manuscrito misterioso

O aluno João Duarte, nº 17, do 6ºB, leu o livro "O Manuscrito Misterioso", no âmbito do contrato de leitura. Aqui fica o trabalho do João.

manuscrito misterioso- joão

quarta-feira, 15 de abril de 2009

ANNE FRANK

O António Lopes do 6º B, no âmbito do contrato de leitura, leu a obra Anne Frank. Aqui fica o trabalho realizado por este aluno.


Anne Frank- António

domingo, 12 de abril de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

ULISSES DE MARIA ALBERTA MENÉRES

Depois de leres a obra Ulisses aqui ficam umas perguntas sobre a obra.

Caça ao Pormenor

Quem contou pela 1º vez as aventuras de Ulisses?

Onde vivia Ulisses?


Como se chamava a esposa de Ulisses?


Como se chamava o filho de Ulisses?


Como se divertia Ulisses?


Como se chamava a rainha grega que foi raptada?


Indica o nome do raptor.


Que consequência teve esse rapto?


Indica a principal característica de Ulisses.

Ulisses era __________________.


Ulisses foi ou não para a guerra?


Contra que povo lutavam os gregos?


Quantos anos durou a luta?


Que ideia teve Ulisses para pôr fim à guerra?


Completa a frase:

Os troianos sabiam que os gregos não eram _________. Ficaram _____________ e _______________.


Quantos dias passaram até que os troianos se convencessem que os gregos tinham partido de verdade e não voltavam mais?


O que encontraram os troianos às portas da muralha?
Quantos dias duraram os festejos em honra dos Deuses?

Como festejaram os troianos?

Depois da destruição de Tróia Ulisses ficou a ser conhecido como ______________________.

Ulisses reuniu-se com quantos marinheiros para voltar a Ítaca?





sexta-feira, 13 de março de 2009

A CAIXINHA DE MÚSICA

Catarina não gostava da cara que tinha. Achava-se feia, com o seu nariz arrebitado, a boca grande e os olhos muito pequeninos.
Na escola, as crianças não queriam brincar com ela. Preferiam outras companhias.
Corriam pelo pátio, muito alegres, fazendo jogos em que Catarina nunca conseguia entrar.
Quando a campainha tocava, no fim das aulas, pegava na pasta de cabedal castanho, punha-a às costas e ia sem pressa para casa, colada às paredes, com medo das sombras, dos gracejos dos rapazes mais crescidos. Com medo de tudo que pudesse tornar ainda mais triste a sua vida.
«Tens mesmo cara de bolacha.» – dissera-lhe, dias antes, uma rapariga da sua turma.
Ficou muito magoada com aquelas palavras que lhe acertaram em cheio, como uma pedrada, em pleno coração.
E lá andava ela com os seus olhos pequeninos e tristes, com os pés para o lado, a ver se descobria alguém que conseguisse gostar dela, nem que fosse só um bocadinho.
No caminho para casa encontrava todos os dias o homem do realejo.
Era muito velho e estava sempre a sorrir. Trazia, poisado no ombro, um grande papagaio de muitas cores que passava o tempo todo a dormitar.
Quase ninguém reparava no velho que tocava cantigas muito antigas, à esquina de duas ruas sem sol. Era um homem solitário.
Quando fez anos, Catarina levou-lhe uma fatia de bolo de aniversário, com cerejas cristalizadas e algumas velas em cima. O velho ficou muito comovido, guardou o bolo dentro de um saco branco e foi-se embora, para ela não ver a sua cara enrugada cheia de lágrimas.
Um dia, quando saiu da escola, foi procurar o seu amigo. Deixou que ele lhe agarrasse na mão e ouviu-o dizer numa voz muito sumida:
«Vim hoje aqui com muito sacrifício só para te dizer adeus. Vou partir para muito longe, mas gostava de te deixar uma recordação minha». Meteu a mão no bolso do sobretudo e tirou uma pequena caixa de música.
«Esta caixinha é muito, muito velha. Nem se sabe ao certo a sua idade. Sempre que
a abrires e tiveres um desejo ele há-de realizar-se imediatamente».
Catarina ficou muito contente a olhar para a caixa e quando quis agradecer ao amigo já não o encontrou.
Catarina levou para casa a caixinha de música e escondeu-a com muito cuidado para ninguém a descobrir. O desejo não demorou a surgir: queria deixar de ser feia.
Pôs-se à frente do espelho, abriu a caixa e pensou no seu desejo com quanta força tinha. Da caixinha saía uma música muito bonita. Catarina olhou para o espelho cheio de receio de que o sonho não se tivesse tornado realidade. Mas não. Ninguém iria acreditar quando a visse com a sua nova cara, o ar alegre e bem disposto.
A sua vida modificou-se completamente. Passou a ter amigos. Já ninguém falava da sua cara, da sua maneira esquisita de andar.
Um dia perdeu a caixinha de música. Ao fim de uns dias, a magia começou a desaparecer lentamente. A boca alargou, os olhos voltaram a ficar muito pequenos.
Sentiu de novo uma grande tristeza e apeteceu-lhe fugir para muito longe ou nunca
mais sair de casa.
Ao fim de algum tempo, acabou por se decidir: começou a sair à rua, a ir à escola.
E, com grande surpresa sua, os companheiros de escola, os amigos falavam-lhe como se nada tivesse acontecido, como se a sua cara não tivesse voltado ao que era dantes.
A tristeza desapareceu e Catarina percebeu que o importante não é a cara que as pessoas têm mas a forma como são na vida, no mundo, como sabem ser solidárias com os outros.

José Jorge Letria, Histórias quase Fantásticas,Edições Ró (adaptado)

sexta-feira, 6 de março de 2009

O preguiçoso

Chamava-se João e vivia com a mãe.
Eram pobres, muito pobres. A mãe trabalhava todo o dia fiando na roca, mas os rendimentos eram poucos.
João não gostava de trabalhar e a mãe sofria por ver que ele era muito preguiçoso.
No Verão, passava os dias deitado ao sol, à porta de casa; e no Inverno, sentava-se todo encolhido ao pé do lume da lareira.
Chamavam-lhe o João preguiçoso e era um bocadinho parvo.
Cansada de tanto o repreender, a mãe, um dia resolveu abandoná-lo.
Então, pela primeira vez, o João pensou em trabalhar. E trabalhou um dia inteiro por conta de um lavrador, que à noitinha lhe entregou uma moeda de cobre. Mas o João perdeu a moeda e quando chegou a casa e viu que a tinha perdido, mostrou-se contrariado.
– És tonto! – disse-lhe a mãe. – Se a tivesses guardado no bolso, não a tinhas perdido.
– Para a outra vez hei-de fazer assim.
No dia seguinte foi trabalhar por conta de um leiteiro, que lhe pagou o trabalho com uma bilha de leite.
João aceitou a bilha de leite e despejou o líquido no bolso da jaqueta, encaminhando-se para casa a cantarolar, contente, a moda do balancé.
Chegou com o fato todo sujo, e na mão a bilha vazia.
– Estás cada vez mais idiota! – exclamou a mãe. – Devias trazer a bilha à cabeça, refinadíssimo parvo!
– Verá que para a outra vez não terá que ralhar comigo.
No dia seguinte, foi trabalhar para uma queijaria. À noitinha, o dono recompensou os seus serviços com um belo queijo fresco. João pô-lo à cabeça e dirigiu-se rapidamente para casa.
Como o queijo era muito fresco foi-se desmanchando e partindo, e o João chegou a casa com os cabelos empastados e a cara toda lambuzada.
– És um cabeça-de-alho-chocho – disse a mãe. – Então tu não te lembraste de que era melhor trazê-lo nas mãos?
– Para a outra vez, minha mãe; agora não há remédio.
No dia seguinte, foi trabalhar para casa de uma velha professora de crianças, que lhe deu um gato cinzento, muito felpudo e bonito. João tratou de o levar aconchegado nas mãos, mas o gato barafustava, e acabou por fugir…
– És um estúpido, não há que ver! Se o trouxesses atrás de ti, atado com um cordel, nada disso acontecia.
– Não te zangues, minha mãe; verás que para a próxima já sei como hei-de fazer.
No dia seguinte foi trabalhar para um açougueiro. Em paga dos seus serviços recebeu uma bela perna de carneiro. João atou-lhe uma corda e encaminhou-se para casa, levando-a pelo chão atrás de si. É fácil supor em que estado chegou a carne, arrastada pela poeira e pelo barro dos caminhos.
Desta vez a mãe perdeu a paciência, porque só tinha para a ceia um pedaço de pão duro.
– O que tu precisavas era que eu te desse uma sova. Porque é que não trouxeste a perna de carneiro ao ombro?
– Perdoa, mãe; não sabia. Para o outra vez já sei.
No dia seguinte foi trabalhar com um negociante de gado, que em paga lhe deu um burro. João era bastante robusto; no entanto, só depois dum grande esforço conseguiu pôr o animal ao ombro, e com a maior dificuldade podia dar algum passo.
A meio do caminho havia uma casa onde morava um lavrador muito rico que tinha uma filha surda-muda. Os médicos diziam que quando alguém a fizesse rir de vontade, ficaria a falar e a ouvir.
Aconteceu que o João passou com o burro às costas precisamente no momento em que a pequena se aproximava da janela.
O animal, de barriga para o ar, debatia-se, roncava, tão ridículo, tão cómico, que ela soltou uma gargalhada, vibrante, clara, saudável!
O pai acudiu, ansioso, verificando que a sua filha falava, cantava, ria, numa alegria infantil, encantadora e profunda.
Depois de alguma conversa, ajustou-se o casamento. Casou com ela o João. E o João ganhou juízo, e foi feliz com a mulher.
António Botto, Histórias do Arco da Velha, Minerva Ed.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Concurso de Leitura

Hoje, realizou-se na na sede do nosso agrupamento, na Escola E.B.2,3/S São Sebastião de Mértola, o XVII Concurso de leitura.

Um muito obrigado e parabéns a todos os que participaram!

4º ano
1º classificado
Laura Paixão
EB1 de Corte do Pinto
2º Classificado
Rafael Marçalo
Centro Educativo de Santana de Cambas
3º classificado
Ana Catarina
EB1 de Corte do Pinto5º ano
1º Classificado
Ana Patrícia Domingues
5ºA2º Classificado
Fábio Garrochinho 5ºC3º classificados
Cristina Nunes 5ºA
Daniel Semião 5ºA
Teresa Costa 5ºB

6ºAno
1º classificada
Maria João Portugal 6ºB2ª classificada
Mª Luísa Macias 6ºC3º classificadas
Carolina Salvador 6ºB
Carolina Lopes 6ºC


Até para o ano!!!

terça-feira, 3 de março de 2009

Polifemo


Como sugestão de leitura na Semana da Leitura aqui deixo uma obra que encantará todos aqueles que a lerem.

Ulisses e os companheiros reuniram-se logo no meio da caverna e combinaram o que haviam de fazer. O pedregulho que tapava a entrada era muito pesado e não conseguiram sequer movê-lo um centímetro. Se matassem o gigante, acabariam por ficar ali fechados para sempre. Mas se conseguissem que fosse o próprio gigante a afastar o pedregulho... E como?

Bom, primeiro resolveram retemperar as forças perdidas após tantos sustos e tanta aflição. Acabaram de assar o veado e comeram-no, beberam o leite das ovelhas e das cabras e descansaram um pouco. Depois pegaram num tronco de árvore fina que ali encontraram e aliaram-no muito bem na ponta. Nas cinzas da fogueira tornaram essa ponta incandescente. E então, todos à uma, apontando a ponta ardente na direcção do único olho do gigante adormecido. (…)

No meio da noite cerrada, os seus urros, e gritos ecoavam de uma forma tremenda.

Ele atroava aos ares:

- Acudam, meus irmãos! Acudam, meus irmãos!

Maria Alberta Menéres, Ulisses, Ed. ASA

Os ciclopes das outras ilhas acordaram estremunhados e disseram uns para os outros:

- É Polifemo que está a chamar por nós, e está a pedir socorro. Temos de ir lá ver o que é, temos de lhe acudir!

(...) E chegaram todos à porta da gruta onde morava Polifemo (...)

A conversa que se seguiu foi esta:

- Ó Polifemo, o que tens?

- Ai meus irmãos, acudam! Ninguém quer matar-me...

- Pois não, Polifemo, ninguém te quer matar.

- Não é isso, seus palermas! O que eu estou a dizer é que ninguém está aqui e Ninguém quer matar-me!

- Pois é, rapaz! E o que estamos a perceber muito bem: ninguém está aqui e ninguém te quer matar...

- Não é isso, seus idiotas!...

E não havia maneira de se entenderem uns com os outros. Quando os ciclopes perceberam que o Polifemo estava já muito zangado, dizendo sempre aquelas coisas que eles já tinham ouvido.(...)


Maria Alberta Menéres, Ulisses, Ed. ASA